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the life and lies of nat rodrigues

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Apesar de ser a filha que toda mamãe gostaria de ter, eu consigo balancear as coisas através da minha total e completa falta de escrúpulos em relação ao meu futuro. Eu fiz um curso técnico de química, faculdade de publicidade, trabalhei em administração e turismo e agora eu estou dando aula de inglês. Enquanto amigos viram químicos poderosos ou publicitários fodões, eu dou aula de inglês pra ganhar uns trocados. Trocados mesmo, se eles me pagassem em moedas, minha carteira nem ia ficar muito pesada. Num é que eu não tenho um plano, é que não ter um plano é o meu plano. Assim é o melhor jeito de evitar decepções e falhas. Se alguma coisa não vai como eu imaginei, tudo bem, eu nem queria mesmo. Mas não é essa maravilha toda viver como uma versão menina-nerd-gordinha do Aladin sabe?. Na verdade é tudo um pouco de medo. Não sou Aladin, tô mais pra Dorian Gray. Uma Dorian Gray menina-nerd-gordinha, claro. Porque tudo não passa de medo de perder a juventude, desperdiçar a infância. Eu tenho ...

Dia de Jorge

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Hoje é dia de São Jorge. São Jorge é Ogum. Na Igreja Católica ele chama São Jorge, no terreiro ele chama Ogum. Mas é o mesmo guerreiro. O que muda é justamente o nome, de acordo com a sua crença. Ok, eu não vou falar de Ogum hoje, nem de São Jorge. Eu não tenho conhecimento suficiente para fazê-lo e minha simples admiração, respeito e agradecimento não me tornam capaz pra tanto. Eu vou falar justamente do sincretismo invertido que acontece no Brasil em algumas determinadas datas. Pra começar, é legal explicar que sincretismo é quando os caras na Bahia chamavam Ogum de São Jorge pro padre não queimar eles na fogueira. Isso resume. E o fenômeno que me intriga hoje em dia é o sincretismo invertido. Sim, porque as pessoas têm sua própria religião. Muitos são católicos não praticantes - que quer dizer que eles não vão a missa mas têm a mesma fé dos que vão. Muitos. Você que está lendo este nobre texto provavelmente é assim. E eu respeito isso, lógico. Até porque, durante 90% da minha vida e...

cold feet

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Começou com essa história do navio. Eu senti o cagaço na hora que eu cheguei no aeroporto e ele se agravou depois que eu passei no raio-x. Eu via o avião que ia me levar pra longe da minha casa e que só ia me trazer de volta depois de seis meses. Seis meses, minha gente, é uma pequeniníssima parcela da nossa vida, mas parece que é pra sempre quando você olha pro lado e não sabe o nome de mais ninguém. Desespero daquele eu nunca senti e aí voltei pra casa. Muita gente me elogiou dizendo que precisa ter culhões pra largar tudo e voltar, que a maioria dos seres humanos simplesmente ficaria lá sofrendo. Eu voltei. E umas 4 vezes por dia eu me arrpendo de ter voltado. Depois eu lembro do desespero e fico feliz de estar aqui. Mas parece que virou tendência. Porque daí, precisando de dinheiro, eu resolvi dar aula de inglês. Mandei currículos e o cacete, várias (2) escolas me quiseram e tal. Uma delas eu só começo em agosto. Mas a outra, eu ia começar hoje. Ia, porque terça, na hora de levar o...

nooooossa, lembra?

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Ahhh! Monstros! Passava na Nickelodeon. Que infância romântica eu tive...

se a novela fosse verdade

Gabriel Vamos começar pelo mais irreal dos personagens* . Manuel Carlos cheira cola e come a lata, a gente sabe disso. Mas nesse menininho, ele mostrou que não há limites para a superação do ser humano. Porque taí um tipo de criança que não existe. Educado, estudioso, talentoso. Que isso? Um menino que cresceu sem pai, no meio de uma vila sem regras? Ele no mínimo estaria fumando maconha com os amiguinhos uma hora dessas, não estudando piano. Nunca estudando piano. Aquilo é bizarro, irreal, contra a natureza. Num fode, Maneco. Helena Tudo bem, a Helena existe. São milhares de Helenas por aí que não têm tempo pra nada, vivem nessa correria louca da vida. As Helenas quando têm um problema, precisam de um tempo para pensar, alguns dias para colocar a cabeça no lugar. As Helenas são acéfalas e fúteis exatamente como na novela, só que elas têm menos dinheiro do lado de cá da telinha. Porque né? Elas são acéfalas e fúteis. Bruno e Felipe Sua transição para a realidade se daria em duas verten...
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Filho, eu reparei que você tem um pôster do Bob no quarto e anda com essa pulserinha jamaicana aí no braço. E sabe, filho, eu não sou otária. Eu sei o que se passa e por isso eu quero te falar umas coisas. Seria da mais pura hipocresia se eu te dissesse pra nunca fumar maconha porque isso é coisa de favelado ou sei lá. Eu sei que meio que faz parte da vida de uma pessoa, ou ela já fumou ou vai fumar um dia. Tudo bem. Se você quer fumar unzinho com os seus amigos no final de semana, tudo bem. Claro que você num é burro então não precisa me ouvir dizer para não entrar nas estatísticas dos que começam pela maconha e depois vão para cocaína, heroína, necrotério. Eu não criei um filho estúpido a esse ponto. Mas não se engane, se você for burro assim eu te bato até você voltar a ser inteligente. Agora, eu te peço um favor: não perca o respeito por causa da maconha. Porque na primeira vez que você esquece a chave em casa e fica preso pra fora vai ser NOSSA VÉI TU TÁ LOKÃO KKK. Na segunda vai ...

as fases da lua

Eu não devo chegar aos trinta. Mentira, só escrevi isso pra chamar a atenção. Mentira. Na verdade é uma conclusão meio paquidérmica das conclusões que eu tirei hoje sobre o andar da minha vida: tá muito rápido. É muito rápido. Eu passo em dois meses pelas fases que as pessoas ficam durante anos. É sério. Você aí de casa com certeza já passou por várias fases da vida e ainda vai passar por tantas outras - assim espero. Tem a fase da boy band, a fase de bater tazo, a fase de querer ser bombeiro-slash-bailarina. E as fases passam. Eu queria ser bióloga a porra da minha vida inteira. Um dia, já no colegial eu decido que nah, num quero ser bióloga não. Fases passam. E até então, eu vinha respeitando a cronologicidade (yeah, like that's a word) delas. Não mais. Depois de velha eu já passei pela fase revoltosa, a fase das baladas, a fase da brisa, a fase da bebida, a fase do amorzinho, a fase da tatuagem. Tudo isso em 3 semanas. Heh. Não, mas sério. Eu estava naquelas de ser jovem, no str...