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i is kind

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Isolamento social de certa forma eu acho que é bom porque funciona como se a gente tivesse resolvendo uma equação de segundo grau, sabe? Você isolando o x tem como saber quem ele é de verdade e a quantos y ele equivale. Ela, no caso. O x sou eu. E isolando o x que sou eu, entre outras muitas coisas assuntadas em futuras sessões de terapia amanhã, percebi afinal muito valor. Desbloqueei o poder de chorar, o que eu considero uma grande vitória porque é muito estranho não chorar nunca. E hoje, agorinha, ao vivasso, como tudo que acontece na minha vida é pra mim, uma ficha tamanho GIGANTE caiu aqui na minha cabeça. Eu tava vendo um post de um boyzinho e o post era borderline sem graça... tipo, era algo digno de um "rs" e olhe lá. Aí eu me toquei que a maior parte das coisas em relação a ele são rs e olhe lá. E aí eu decidi que mano, por que merda que eu sou afim de uns boyzinho rs e olhe lá? Se fude irmão, eu quero HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHA eu quero PASSEI MAL KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK...

saudade do que a gente já viveu

Eu sinto falta do normal, do automático, do todo dia. A beleza que tem no cansaço, em ficar puta por coisa idiota, eu sinto falta de xingar no trânsito, do vizinho jogando bituca de cigarro pela janela. Claro que do bom também, da vida perfeita que eu tenho, da minha família e dos meus amigos, de poder ir na praia todo dia, de poder ir. Ir é tão daora, né? É tão bom ser livre pra ir. Eu lembro quando eu tava no tratamento, minhas hemoglobinas tinham desistido de mim e não transportavam mais oxigênio pelo sangue. Naquela época eu não podia ir em nenhum lugar, nem no banheiro. Eu não conseguia ficar em pé nem andar e eu lembro que dentro do carro eu via as pessoas indo e vindo e pensava "caralho, como é bom poder ir". Eu sinto falta de ir. Sinto falta das coisas boas. Mas sinto mais das ruins mesmo. Porque tudo precisa estar tão bom pra gente xingar no trânsito, né? Uma preocupação tão rasa, nossos problemas precisam ser nenhum pra uma pessoa te tirar do sério por não dar seta...

o alasca

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Quero contar pra você - é, você! - da primeira vez que eu fui pro Alasca. Essa frase é meio burguesinha porque implica em eu ter ido mais de uma vez pro Alasca, uma das partes mais remotas do nosso planeta. Mas você sabe que eu fui trabalhando e que o mais de uma vez é porque os cruzeiros eram semanais e eu fiquei 4 meses nesse roteiro. Enfim. Alasca. Eu sendo brasileira na condição de indo pro Alasca só conseguia pensar no frio, temer o frio, tremer de frio. Eu odeio frio, sinto muito frio, 21ºC pra mim já é motivo de blusão. Eu tava apavorada. E era apenas nisso que eu conseguia pensar. Então no primeiro cruzeiro eu estava tensa demais. A gente saía do porto de Seattle, que já tava um frio da peste, e subia pro Alasca. Vou ilustrar esse post, embora saiba que não será suficiente. Aqui tá falando que saía de Vancouver mas na minha época era Seattle e fazia uma parada em Victoria, uma ilha maluca do Canadá onde tem praia, neve e fazenda. E onde o primo do meu pai mora há 30 anos e ...

você e a minha análise

Os dias difíceis chegaram junto com você e todo mundo achou que fosse relação, mas era correlação. Coincidência. Se for ver, você até amenizou pra mim algo que eu tô faz tempo tentando amenizar, como se eu tivesse te usado. Foda, né amiga? Mas a gente se usa mesmo, todo ser humano é assim. Te pediria desculpa se fosse pra você ouvir mas eu não me arrependo de nada não. Me coloco à sua inteira disposição pra me usar também, do jeito que você achar melhor. Te devo essa e quero sair com você devendo pra mim. Ou empatadas, amiga, que todo mundo ganha. Você entrou na minha análise como um movimento que até agora não aprendi na faculdade como que chama. Não sei se é resistência, muleta, organização ou o quê. Mas funciona. Inclusive eu descobri que sou bem eficiente nesse negócio de fazer funcionar, porque tudo funciona pra mim, eu sou demais de competente. Mas nada é de graça, né amiga? Você não sabe disso porque você paga tudo à vista, no ato e sem parcelar. Você é um modelo de economia ...

Lacan é meu pastor

Eu sempre achei que correr era uma forma daora de exorcismo que eu sempre quis praticar. É pegar sua dor que vive dentro dos seus músculos e torcer à força, deixar sair tudo na base do ódio, e terminar com um misto de alívio e exaustão. Assim funciona a endorfina, caso caia na prova. Que prova né viado? Tô quase me formando e vou precisar renovar o estoque de metáfora porque aparentemente eu não consigo simplesmente falar, eu enrolo. Eu prefiro achar jeitos de expressar o que eu quero através do desenho de palavras - é isso! Eu desenho com as palavras. É all-type, meu tipo favorito de anúncio. Sabia que foi assim que eu escolhi fazer publicidade? Um all-type do submarino que eu vi no cinema dias antes de me inscrever pro vestibular. Eu queria aquilo, queria desenhar com palavras. Virei redatora, olha que foda. E eu era boa. Talvez seja esse meu dom de verdade, porque a psicologia também tem tudo a ver com a palavra certa e precisa. Que bonitinho, né? Eu trabalhando justamente com o qu...

Esquema de Pirâmide

Quando chove eu não arrumo a cama porque se o dia não faz questão de brilhar, menos faço eu. A mitocôndria resolve que não vai ter mais ATP e a posição original é deitada na cama (mas não de cama) e tem três dias ou mais que eu não vejo o sol. Fico mais cansada que essa metáfora que trabalha mais que eu, porque parece que eu não ando trabalhando tanto quanto deveria e eu sigo devendo pra quem não me deve mais nada. É desesperador e insano pensar que a cada giro da lua sobre a minha cabeça, mais a maré mexe com o que eu sinto. Ando remando contra a correnteza do meu pensamento otimista que é ótimo quando tinha que ser, mas que não me dá uma trégua pra eu sofrer sem sentir culpa. Porque já basta sofrer. Já basta a vida sem o excesso de neuroreceptor que eu fiz nascer diminuindo a recaptação de serotonina na marra. A fenda já virou um vale e o vale de novo me jogou na lama. Quem diria? Todo mundo diria "eu" porque todo mundo avisou mas o que vocês sabem de mim? Se nem eu sei. E...

se toca Raul

Cada dia que passa fica mais fácil passar os dias sem você e é isso que mata. Shakespeare disse em forma de Romeu (o nome do pinguim do sonho que eu tive - me faz pensar se é o nome do meu futuro pinscher ao invés de Bianco, mas isso é outro parênteses) que guardar algo que me lembre você seria presumir que eu poderia esquecê-lo. O intangível que é superar a dor de uma partida se torna tão assustador quanto a perda em si. Hoje jantei tremoço e duas cocas e só falei de você uma vez. É tão bagunçado na lógica lógica quanto o alívio que eu senti quando você foi embora. Chegar no fundo do poço é também saber que não dá pra piorar, o medo de cair pra sempre termina quando você bate no chão e se esfola inteira, mas sobrevive. Sobreviver ao que é fatal dá uma alegria daora mas tem hora que passa, porque agora eu me pergunto - e daí? Eu tenho uma porção de coisas pra conquistar e eu não posso ficar aqui parado.  Lembro da serra e da estrada de Ubatuba da gente voltando do Félix. Lembro da...