longe da lama

As mais coisas que existem entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia ficam tão em pauta na minha vida há tanto tempo que eu hoje nem consigo falar sobre instinto, vibração e energia com aquela introdução explicativa por as vezes essas essas coisas não serem levadas em conta. Elas são, sempre. Eu considero o que eu sinto tão mais ou tanto quanto o que eu vejo, o que está provado. Assim, em itálico, porque até a biologia leva o sistema límbico tão a sério quanto todos os outros. Desde de Descartes e a glândula pineal, quem sou eu pra precisar explicar Shakespeare no começo do que eu vou falar. Instinto é real, é do inconsciente se preferir, é do repertório de estímulos acumulados. E eu confio no meu, nunca errei em confiar. Errei em duvidar dele frente a tanta coisa certa, errei em achar que ele era errado. Mas esse erro eu não erro mais. 
Me sinto bem hoje. O que não quer dizer que eu sou cega ou iludida com as coisas que se passam, nem passiva a elas. Eu sei do que me afeta e sei do que precisa me afetar. Eu sei que eu preciso passar por coisas duras e sei que eu não sei exatamente o porquê. Mas sei também que não é castigo. Não me sinto castigada. Tenho em mim pequenas culpas que servem de lição, tenho consciência de erros que cometi e ainda cometo, sei que preciso cuidar deles. Sei que tem erros que eu ainda não sei e não me coloco como ser supremo do meu auto-conhecimento jamais. Existem mais coisas entre o meu céu e a minha terra do que sonha minha vã filosofia. Por isso eu tento manter os olhos abertos pra enxergar o que precisa ser visto. Nunca, porém, ignorando o que eu sinto. E eu me sinto bem. 
Hoje eu talvez tenha entrado em contato com verdades que eu não consigo ainda enxergar. Ou talvez as verdades que entraram em contato comigo não eram as minhas. Talvez seja pura petulância minha, mas hoje, de novo, eu escolhi meu instinto. Eu vou confiar em mim. Hoje eu me sinto bem.