enjoadzinha...

Ou bebeu demais, ou comeu aquele risole de presunto ou tomou aquele iogurte que fazia aniversário na geladeira. A questão é que você está enjoada. E nessa condição, é quase impossível fazer algumas das mais simples coisas. 
Sorrir, por exemplo, é um esforço tremendo. Retribuir um 'bom dia', parecer interessada na procedência daquela sandalha, demonstrar o mínimo de alegria por ter alguem de fora na sua cozinha às 23h48 de uma terça-feira, enfim, a simpatia em si é inexistente.
Falar? Quase um ato heróico. A comunicação se resume a resmungos, cara feia e bufadas. A gente tem a impressão de que se alguém perguntar alguma coisa e não obtiver resposta, a pessoa vai embora. E se ninguém atender o telefone, uma hora ele pára de tocar. Se a gente ficar bem quietinha, o mundo deixa a gente em paz.
Fisicamente, o corpo implora pela cama. Dormir é o resumo de tudo que há de bom. Cobertas são as mãos carinhosas que esquentam aquele montinho inútil de gordura e ossos. Travesseiro é o melhor amigo. E o pior inimigo é a pergunta:
- Tudo bem?

Aí você chama o hugo. Hugh, em inglês.
Vomita tudo que há de ruim e paranóico no seu estômago e cérebro. Da sua boca saem as mais nojentas sujeiras. É o que todo mundo precisa de vez em quando.

Better out than in, diria o Hagrid.