árvores aladas

Quando a gente passa por aquela fase de pré-adolescência e alguém pergunta sobre o que a gente não gosta, a gente respondia falcidade com cê e hipocrisia. Quem nunca? Mas tudo é perdoável quando a gente tá nessa fase porque apesar de babaquinha, ela supostamente vai passar. Supostamente. Algumas pessoas beiram a meia-idade insistindo nesses conceitinhos acéfalos. Mas esse não é o alvo da criticazinha de hoje, que está em um oferecimento de PôneiLand!
Não, não, hoje vamos falar essencialmente da hipocrisia porque falsidade é um conceito divergente demais e, pensando bem, os dois querem dizer a mesmíssima coisa: falar uma coisa e fazer/ser outra.


O ser humano é falho, tudo bem. Ninguém é perfeito, ninguém é Good Guy Greg. A gente as vezes dá de louco em prol da boa educação, faz um esforço para manter um ambiente saudável e tudo mais. Ou a gente quer que se foda mesmo e mente. De vez em quando, ok.
O que me intriga são as pessoas que montam sua vida inteira em um monte de mentiras infantis e que não se dão ao trabalho nem de usar de boa discrição para que seja pelo menos uma vida ridícula secreta. Não são nem inteligentes. Não se importam em gritar amor a altos brados sabendo que metade dos que ouvem sabem que o certo seria traição. Me intriga porque eu não entendo como que as coisas dentro do cérebro humano funcionam de jeitos diferentes. Como pode alguém conseguir matar a própria consciência? Porque se não o fizesse, não dormiria. Ou só o meu travesseiro tem o sistema anti-scumbag, que não me deixa dormir ao mínimo sinal de filhadaputice?
Me intriga porque desde que a gente é muito muito pequeno a gente ouve que se não obedecer a mamãe, o Papai Noel (tudo, tudo, tudo, Papai Noel!) não traz presente. A gente é apresentado ao conceito de Carma-goes-around-comes-around-planta-vento-colhe-tempestade desde que nasce. Como pode haver pedra tão burra que não fura depois de tanta água batendo?
Me intriga. Sério.